1ª Igreja Morávia do Brasil

UNITAS FRATRUM

A Igreja Morávia, conhecida também como Igreja dos Irmãos Morávios, tem como nome oficial “Unitas Fratrum” (em latim: “Unidade dos Irmãos”), é uma das mais antigas denominações protestantes do cristianismo, foi formada pelos seguidores do padre católico boêmio de nome Johannes Hus, mais conhecido como John Huss ou João Huss (nascido c. 1370, Husinec, Boêmia [atual República Tcheca] – falecido em 6 de julho de 1415, Constança [Alemanha]) foi o mais importante tcheco do século, este iniciou a Reforma Tcheca do século XV, cem anos antes da Reforma Protestante realizada por Martinho Lutero. As suas práticas ficaram conhecidas como a “Revolução hussita”.

John Hus

John Huss teve uma formação filosófica e teológica, foi Professor universitário de teologia em 1398 e pregador popular em Praga e ordenado padre em 1400. Sendo influenciado pelas obras de John Wycliffe e, mais tarde, seus escritos teológicos, foram trazidos para Praga em 1401, isso contribuiu para proposta de reforma do clero católico romano, criticou publicamente o mundanismo da Igreja católica medieval. Huss esteve envolvido na amarga controvérsia do Cisma do Oriente (1378-1417) durante toda a sua carreira. Foi condenado por heresia no Concílio de Constança no dia 06 de julho de 1415 por não cumprir as exigências impostas pela igreja que era negar as acusações, sendo queimado na fogueira.

Em 1457, a antiga Unidade dos Irmãos surgiu quando um pequeno grupo de crentes se uniram sob a liderança do irmão Gregory (falecido em 1474) para viver juntos como comunidade cristã segundo o ensinamento do Evangelho. Eles estabeleceram sua irmandade em Kunvald, uma pequena vila rural no Nordeste da Boêmia, e se autodenominavam “Irmãos da Lei de Cristo” (fratres legis Christi). A comunidade aceitou o Sermão da Montanha como a lei de Cristo que todos os crentes deveriam observar.

Com um triplo ideal de fé, companheirismo e liberdade e uma forte ênfase na vida cristã, como uma reação às práticas da Igreja Católica Romana, deu início a fundação da Igreja Unitas Fratrum.

 

Na reforma hussita teve a criação de um documento chamado “Quatro Artigos de Praga”, criado no ano de 1420:

  • O Evangelho deve ser pregado livremente na Língua do povo,
  • Na celebração da Sagrada Comunhão os elementos do pão e do vinho devem ser oferecidos para as pessoas,
  • O clero deve desistir do poder mundano e viver na pobreza, todas as pessoas, incluindo clérigos e nobres, devem ser igualmente responsabilizadas por seus crimes de acordo com a lei de Deus.

O próximo líder importante dos Irmãos foi Lucas de Praga (1458-1528), que introduziu a distinção entre assuntos essenciais, ministeriais e incidentais¹ como um princípio para reflexão teológica.

Os números da Igreja Unitas Fratrum cresceram rapidamente, atraindo a atenção das autoridades da Igreja Católica para os Irmãos, denunciados como heréticos e traidores. Em 1557, haviam três províncias da igreja sendo elas: Boêmia, Morávia e Polônia.

HIS_zinzendorf

John Amos Comenius

Ao longo do século XVI, após a reforma protestante a unidade experimentou novas perseguições, mas também viu o crescimento de uma filial na Polônia e outra filial na Morávia. A Igreja Católica responde à Reforma Protestante com um ato conhecido como contrarreforma, no período entre os anos de 1545 e 1563. Em 1547 Unitas Fratrum sofreu uma grande perseguição, causando o avanço da mesma para a Polônia. Em 1557 já estavam estabelecidas em três comunidades, sendo elas Boêmia, Morávia e Polônia. 

Os irmãos Morávios, criaram os primeiros hinários protestantes, publicou numerosas confissões e catecismos, e produziu uma tradução da Bíblia em tcheco, da Bíblia Kralice em seis volumes (1579-1594).

Após a derrota dos protestantes tchecos na Batalha da Montanha Branca em 1620, os irmãos novamente enfrentaram severa perseguição, alguns sendo exilados, outros convertidos à força para o Catolicismo, outros praticavam sua fé escondida. Vários milhares de membros deixaram a Boêmia e Moravia para encontrar refúgio na Polônia, incluindo o jovem sacerdote John Amos Comenius (1592-1670) conhecido como “o pai da pedagogia moderna” e criador da didática Moderna. A distinta carreira de John Amos Comenius como bispo, erudito e educador marca o fim da história da Antiga Unidade. Ele morreu em 1670 no exílio em Amsterdã.

A Paz de Westphalia (1648) colocou as Terras tchecas sob controle católico. Os anos seguintes são conhecidos como o Tempo da “semente escondida ” quando a tradição da Unitas Fratrum foi secretamente passada de geração em geração entre algumas famílias dentro da área Morávia.

Na guerra dos 30 anos ocorrido no período de 1618 a 1648 entre católicos e protestantes, a Unitas Fratrum sofre mais um período de severa perseguição, no ano de 1621, conhecido como o “dia do sangue”, tiveram 15 líderes decapitados, muitos foram lançados em cadeias, outros em minas para trabalhar como escravos, além de ter as suas escolas destruídas, todos os seus escritos foram queimados.  

O segundo período da história da Igreja Morávia começa com a fundação de Herrnhut em 1722. Naquele ano, algumas famílias da Morávia, que mantiveram as tradições da antiga Unitas Fratrum, fugiam da perseguição de sua terra natal e encontraram refúgio na propriedade do Conde Nicolaus Ludwig Zinzendorf (1700-1760) na Alemanha. Zinzendorf é considerado o fundador da “renovada Igreja Morávia” e um dos mais importantes teólogos e líderes do despertar religioso no século XVIII.

Uma pequena Vila foi construída e a aldeia foi nomeada “Herrnhut”, que pode ser traduzido como “vigília do Senhor”.

Os irmãos Morávios, foram responsáveis pelo maior avivamento de Missões já existente. Criaram um relógio de oração que durou 100 anos, além do devocional diário.

August Gottlieb Spangenberg, líder da Igreja Morávia depois da morte de Zinzendorf em 1760, continuou a enfatizar a importância da missão e incentivou novos empreendimentos. Debaixo da Liderança de Spangenberg, os Morávios se preocuparam em construir congregações, escolas e empresas econômicas. Eles fundaram sociedades missionárias e publicou livros e revistas que relatavam a história e a experiência das missões Morávia. 


 

Hoje a Unitas Fratrum , a Igreja Morávia Mundial, é composta por Províncias de Unidade , Províncias Missionárias , Áreas Missionárias e certas áreas de trabalho que são de responsabilidade da Unidade Morávia como um todo. Elas são denominadas Empreendimentos de Unidade .

Emblema da Igreja Morávia

O emblema da Igreja é o Cordeiro
com a bandeira da vitória.

O Cordeiro é um símbolo de Jesus Cristo, carregando a bandeira da vitória. Normalmente a imagem é cercada pela legenda “Vicit Agnus Noster – Eum Sequamur” (Nosso Cordeiro venceu, vamos segui-Lo). Podem ser encontradas muitas versões diferentes da imagem do Cordeiro Vitorioso, nas várias províncias e congregações. Na Tanzânia é Costume que as palavras da inscrição sejam usadas como uma saudação nos cultos ou nos encontros na igreja: o pastor ou líder diz “Mwanakondoo wetu ameshinda” (O Cordeiro venceu), e a congregação responde: “Tumfuate!” (Vamos segui-lo). Práticas semelhantes são conhecidas na Jamaica e na Igreja morávia americana, também no Brasil.

Pr. Maurício Melo e Pra. Jucineide Melo

1° Igreja Morávia do Brasil

O primeiro contato da igreja brasileira com a Igreja dos Irmãos Morávios foi feito pelo Pastor Mauricio Melo, no início do ano de 2020 com Justin Rabbach (Diretor Executivo do Conselho de Missão Mundial) e depois com o reverendo Jorgen Bøytler (Administrador Geral da Igreja Morávia). Em março de 2022, em sua viagem a cidade americana de Winston-Salem na cidade da Carolina do Norte, manteve contato com a Pastora Angélica, na época “Presidente da Junta Mundial de Missões da Igreja”. Duas semanas depois, seguiu-se uma reunião on-line em que estavam presentes: Pr Maurício e o administrador-geral da Igreja mundial, Reverendo Jorgen Bøytler da Dinamarca, o Presidente de Missões Transcultural, Justin Rabbach, e a Diretora de Missões Mundial Angélica.

No dia 27 de setembro, na Cidade do Panamá, houve uma conferência para tratar de recursos de missões das Igrejas Morávias da América Latina. Estavam presentes representantes dos EUA (na direção e organização), Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Cuba, Peru, Bolívia e Brasil. Pela primeira vez presente em uma conferência da Igreja Morávia, o Brasil teve sua delegação composta por apenas duas pessoas (Pastor Mauricio Melo e Presbítera Jucineide Melo), dando assim início a uma nova conexão de aliança da Igreja brasileira como Igreja Morávia.

No dia 6 de maio de 2023, foi oficializada na cidade de Salvador pelo Pastor Maurício Melo a “Primeira Igreja Morávia do Brasil”, com a visita de Justin Rabbach e reverendo Jørgen Bøytler. 

O Brasil foi reconhecido como Área Missionária Prospectiva da Igreja Morávia Mundial, pelo Sínodo da Unidade que aconteceu na Cidade do Cabo. Em setembro de 2023, foi elaborado um documento afirmando este reconhecimento. Considerando que a 1ª Igreja Morávia do Brasil tem Sede na cidade de Salvador, e a mesma tem promovido ativamente a missão do nosso Ancião Chefe em sua região.

Rolar para cima